bom Dia da Terra!

Sexta feira, dia 15 de Abril, foram chumbados, na Assembleia da República, os três projectos do PAN, do Bloco de Esquerda e d’Os Verdes com a recomendação para a proibição do glifosato em Portugal e a oposição do Governo à renovação da sua licença na União Europeia.

O Parlamento de Estrasburgo votou, este mês, pela autorização do seu uso por mais sete anos, tomando a opção de eliminar o seu uso nos espaços púbicos urbanos, decisão que só será tomada pela Comissão Europeia em Junho.

Esta substância entrou, em 2015, na lista de substâncias “potencialmente cancerígenas” da Organização Mundial de Saúde (OMS) com base num parecer da Agência Internacional para a Investigação Contra o Cancro (AIIC) sendo que a credibilidade desta classificação pode agora ser posta em causa.

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MAS O QUE É AFINAL O GLIFOSATO?

Segundo a wikipédia, o glifosato é um herbicida sistêmico não seletivo (mata qualquer tipo de planta) desenvolvido para matar principalmente ervas perenes ao inibir uma enzima responsável por funções metabólicas importantes no desenvolvimento destas plantas.

O glifosato é o herbicida mais usado em Portugal, comercializado livremente por empresas como a Monsanto (no seu mais conhecido produto o Roundup), Dow, Bayer e Syngenta. Ele pode encontrar-se facilmente seja em cooperativas agrícolas ou qualquer comum supermercado. É usado para a eliminação das ditas “ervas daninhas” nas ruas, estradas e arruamentos, mas principalmente na agricultura industrial e de pequena escala.

É importante lembrar que quando falamos em agricultura não nos referimos só de alimentação mas também da grande indústria têxtil, principalmente a do algodão.

Quando falamos em alimentos transgénicos estamos a falar na maior parte das vezes no recurso a glifosato, já que muitos das plantas modificadas (sobretudo soja, mas também milho) foram geneticamente modificadas precisamente para serem resistentes à aplicação deste químico. Desta forma, ao plantarmos uma monocultura de uma determinada planta resistente ao glifosato, sabemos que o podemos aplicar garantindo que as ervas daninhas morrem mas que a produção alimentar está assegurada. Assim para além da problemáticas que poderiam advir da alteração genética e patente de espécies temos a problemática de toxicidade associada que advém do uso de herbicidas, já para não falar em fertilizantes, desgaste de solos….

Este panorama apocalíptico pode parecer estranho aos olhos do consumidor urbano. Infelizmente é a realidade que acontece no mundo mas também por cá. A ideia ingénua da produção caseira da “labradeira” é totalmente erronia e desapropriada aos tempos que vivemos já que a desinformação leva a que maior parte dos/as agricultores/as, de pequena ou grande escala, façam recurso a este e outros químicos.

ALTERNATIVAS?

No mesmo mês em que a OMS colocou o glifosato na lista de substâncias “potencialmente cancerígenas” a autarquia do Porto interrompeu definitivamente a utilização desse produto no controlo de plantas invasoras, declarando a opção da monda mecânica manual (com utilização pontual de alguns compostos de origem orgânica??) nos arruamentos, parques, jardins e terrenos da cidade.

Mas esta está longe de ser a solução definitiva para eliminação destes e outros produtos químicos, sejam eles aprovados ou não por entidades “maiores” que regulam o senso comum.

Compostos desenvolvidos para matar não deveriam fazer parte da ética da vida. Se queremos uma realidade que defende a vida não podemos incentivar o uso de substâncias que a comprometem. E enquanto os corpos legais não se mexem neste sentido podemos tomar opções para reduzir a nossa exposição e não financiar a sua utilização.

Existem outras formas de fazer agricultura que não necessitam de recorrer a estes venenos – sistemas agroecológicos funcionais e eficientes na produção de alimentos, fibras, óleos e outros materiais sem recorrer a agrotóxicos e que ao mesmo tempo revalorizam matéria que consideramos lixo: restos orgânicos e fesses.

Contribuir para uma agricultura sustentável de proximidade permite-nos confiar nas pessoas que nela estão envolvida e garantir que ao consumir os produtos dela oriunda não estamos a patrocinar o uso de glifosato.

É interessante pensar que até mesmo a monda manual é desnecessária e inadequada para muitos contextos e espécies de plantas espontâneas. No contexto de uma agricultura e planeamento sustentável podemos compreender o valor ecológico de cada planta, sejam elas responsáveis pelas retenção de solos, de humidade, medicinais, nutritivas e importantes para insectos auxiliares como abelhas. Podemos aprender a ver a manifestação da natureza como um reequilibrar do ecossistema e não como uma espécie de formação de caos.

bom Dia da Terra!

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2 Comentários

    • de nada Nuno,
      é mesmo importante que saibamos aquilo que comemos!
      e comemos tanta coisa que nem imaginamos!

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